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IMALE SE REVOLTA

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Malê Debalê
vê na malemolência
malvada do baiano,
curtido na amálgama
do pouco ganho,
a sabedoria suada de outras horas,
enquanto mares de fora
soletram suas ondas
em insalubres sílabas,
e rebentam,
preferencialmente,
beira-mares e engodos.

Malê vê balé
na poesia do canto
- essa maravilhosa forma
de entoar apetites,
provocar estômagos
a primeiras, segundas e negras vozes -
ecos de quilombos
e tantos outros tombos,
no escravizar de apegos
e pararatuntuns libertos
por batuques e suas crenças,
por mortos e suas danças.

(foto: Patrícia Carmo)

A BAIANA E SEUS ANTIGOS

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Tertú disse Ao Homem que sempre
duvidaria de Sua existência
e teria todas as conveniências
que Ele nunca conseguirá ter

Ele iria zombar de Sua essência
faria todos os filhos e filiais
penetraria em ambos os mundos
em sacos sem fundos
que Ele nunca poderá penetrar

E foderia todas
santas penhoras
boduns e calçolas
senhoras sem horas
fingindo desprazeres
me-ti-da-men-te
descomprometedores

Amaria nem Deus nem Diabo
e zombaria da lorota de suas experiências
mas cultuaria a xoxota
- cartilaginosas moquecas -
de arraia com camarão e dendê
e a pilsen gelada com pimenta fadada
a ardê à dorê e escorrê se mordê.

André Jerico

REINCIDÊNCIA

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Surgiu embalada de um sono etílico.
Não compreendeu o sussurro
de um certo hálito capenga 
trazendo à baila babas de noite,
em versos fronhas manhas amanhãs.
Bateu com a cabeça em sua arrogância
antes de tropeçar em incuráveis certezas.
Machucou-se!
de PutasQuePariram e equívocos.
Doeu-se de menina distraída
pra manusear-se e umedecer-se
em vagas lembranças.
Visco lamentação lambança.

Antes de culpa, pecaria, pecaria:
sorriu, conferiu-se e lavou-se.

Jerico

DESENCONTRO

gal.jpgte tenho
em meu corpo
e descubro
teus seios
toco
teus seios
e te entrego
ao meu corpo

LUDIBRIO

ludibrio.jpg

  

Ao invés de me censurar,
tente se libertar dos ossos
que estilhaçam seus fatos,
lhe esqueletam atos patelares
e o crânio de sua vida engessada
por duas ou três
hierarquias de mediocridade,
e-sabe-se-lá-Deus-mais-o-que!

 

Ao invés de publicar os feitos
e as novelas de seus trejeitos,
passe a descrever suas farsas,
expor suas carapaças,
pra que pelo menos sua história,
diferentemente de sua fábula,
seja qualquer coisa validada,
e não duas ou três horas tapeadas,
todas crentes que te cronometram.

(foto: andré jerico)

(para Ana Cláudia, minha mulher, pelo seu aniversário)

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Pós-eirado

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