IMALE SE REVOLTA
Malê Debalê
vê na malemolência
malvada do baiano,
curtido na amálgama
do pouco ganho,
a sabedoria suada de outras horas,
enquanto mares de fora
soletram suas ondas
em insalubres sílabas,
e rebentam,
preferencialmente,
beira-mares e engodos.
Malê vê balé
na poesia do canto
- essa maravilhosa forma
de entoar apetites,
provocar estômagos
a primeiras, segundas e negras vozes -
ecos de quilombos
e tantos outros tombos,
no escravizar de apegos
e pararatuntuns libertos
por batuques e suas crenças,
por mortos e suas danças.
(foto: Patrícia Carmo)









